< style="">< style="">


Psicóloga Clínica Psicodramastista

Holística

Amo meu trabalho, tudo que faço é com muito amor.

Religião Kardecista

Desafio algum ser humano ser capaz de penetrar no mais profundo âmago do ser como a Psicologia e o Espiritualismo.

E alí lançar luzes capazes de curar a mente humana, de reverter tenebrosos sofrimentos.

Considero a Felicidade uma das Maiores conquistas do espírito humano.


www.paixaodeeducar.blig.ig.com.br




10/11/2006 22:52

Obesidade





A obesidade gera problemas físicos e estéticos — a maioria dos gordos tem problemas emocionais — o gordo sofre com sua gordura — a obesidade não é felicidade.
A obesidade é um problema que afeta centenas de milhares de brasileiros. Não fossem as condições infames de vida de nossa população, afetaria dezenas de milhões. Basta dizer que, tirando a massa de pessoas que vivem em condições ultrajantes de miséria, 30% daqueles que têm o privilégio de uma mesa farta padecem de problemas de gorduras a mais do que as desejadas.
Não bastassem os inúmeros problemas físicos que geram a obesidade, existem ainda, decorrentes da obesidade, os problemas estéticos que trazem um enorme sofrimento a homens e mulheres. Principalmente porque, ao contrário da estética turca ou da estética russa, nossa cultura cultua o corpo, não diria magro, mas certamente o corpo atlético. Milhões de homens e mulheres sofrem desesperadamente por não conseguirem preencher esses ideais estéticos. A gordura derruba a auto-estima, gera constrangimentos e inibições, complexos de inferioridade, inseguranças afetivas; enfim, arruina a vida de um sem-número de pessoas.
Quem é ou já foi gordo sabe do que estou falando. E quem não é nem foi gordo também sabe, porque leva esse dado em consideração na hora de escolher uma pessoa para amar e desejar.
Apesar de ser médico, desde cedo me dediquei mais à mente do que ao corpo humano. Por isso, para abordar os aspectos físicos e genéticos da obesidade, consultei um especialista, o grande endocrinologista Arnaldo Sussekind Filho.
De todos os gordos existentes, somente 2% são gordos por causas endocrinológicas, ou seja, por problemas de glândulas. Nesses 2% há pessoas com distúrbios na tireóide (aquela glândula na base do pescoço, pelo lado da frente, onde a gente engole); distúrbios na supra-renal (como o nome indica, são glândulas em cima dos rins); e distúrbios na hipófise (uma glandulazinha do tamanho de um caroço de azeitona, situada no cérebro, pouco atrás do nariz, e que, apesar de tão pequena, tem a importância de ser a glândula que controla todas as glândulas).
A obesidade ligada à tireóide se dá quando ela funciona pouco. Como a química está devagar quase parando, a pessoa fica sonolenta, lerda de raciocínio e, mesmo comendo normalmente, não queima a comida. Logo, engorda. Não é difícil reconhecer o quadro de uma tireóide que funciona pouco. Além desses sintomas, o cabelo e as unhas enfraquecem, a pessoa sente frio, o intestino fica preguiçoso e há um desânimo geral.
A tireóide pode funcionar pouco por várias razões.
Primeira: a hipófise (aquela glândula do cérebro) não está estimulando suficientemente a tireóide. A hipófise, como já dissemos, é a glândula que controla as outras glândulas.
Segunda: a tireóide, para produzir seu hormônio, precisa de iodo. Quem mora longe do mar (que é rico em iodo) e não come direito pode ficar carente de iodo. A tireóide, então, não pode funcionar direito. Ela se esforça, cresce, mas não adianta. Esse é o quadro da papada, que, tecnicamente, é chamada de bócio, comum nas populações pobres do interior.
Terceira: a pessoa, porque tinha um caroço perigoso na tireóide, teve de operá-la e aí ficou com pouca tireóide.
Quarta: o organismo, por razões meio desconhecidas, ataca a tireóide e a deixa menor do que o necessário.
O hipotireoidismo é, portanto, uma das causas da obesidade.
A supra-renal produz um hormônio chamado corticóide. Quando, por um tumor ou por uma excessiva estimulação da hipófise, ela produz corticóide demais, surge uma obesidade típica.
O rosto incha e a pessoa fica com cara de lua.
Até aqui, porém, abordamos apenas 2% dos gordos; os 98% restantes são gordos por outras causas. Poderíamos dizer que essas outras causas não têm nada a ver com doença. Mas não é bem assim. Uns 8% possuem algo que tem a ver com doença. São os pré-diabéticos.
Temos uma glândula lá dentro da barriga chamada pâncreas. Entre outras coisas, o pâncreas produz um hormônio chamado insulina. A insulina é fundamental para o nosso corpo poder assimilar a comida que comemos. Sem a insulina, o que a gente come e vai para o sangue fica difícil de ser aproveitado pelo organismo. Quando o pâncreas está prestes a pifar, a pessoa come alguma coisa e essa coisa se converte em açúcar no sangue, mas o organismo não consegue absorvê-lo. A pessoa fica então com açúcar demais no sangue. No entanto, esse pâncreas já meio lerdo começa depois a produzir insulina. A pessoa, a seguir, absorve o excesso de açúcar no sangue, mas não só o excesso. O sangue fica com pouco açúcar e, quando ele fica com pouco açúcar, a pessoa sente fome. Logo, come mais. Come demais. Resultado: engorda.
Até agora, vimos 10% dos casos de obesidade. Os outros 90% apresentam outras razões.
Há uma porcentagem de pessoas com tendência genética a serem gordas. Geralmente são filhos de gordos, recebendo essa herança de nascença — trata-se do tipo "filho de gordo gordinho é". Todavia, não chegamos nem aos 20%.
Mais uns 10% são gordos porque foram gordos na infância. São crianças que já nascem com mais de quatro quilos e viram "bebés Johnson". É que existem células no corpo que acumulam gordura e seu número dependerá de a criança ter sido gorda ou não. Crianças gordas (até os quatro anos) desenvolvem um maior número de células de gordura do que crianças magras. Logo, mais tarde terão propensão a engordar.
Boa maneira de não ser gordo na vida adulta é ser magro na infância. Desse modo, a pessoa tem poucas células que acumulam gordura. Pode comer à vontade que não engorda. Já aqueles que foram gordos na infância, se comerem muito, engordam mesmo. Portanto, quem tem filhos não deve deixá-los ficar gordos até os quatro anos de idade. Assim, estará poupando seus filhos de futuros sacrifícios com dietas.
A gordura pode ter outra causa que também não é genética. É uma causa cultural. É o que se vê em famílias turcas ou italianas, que são culturalmente boas de garfo. Os filhos herdam os hábitos alimentares.
Não devemos esquecer daqueles que são bons de copo, pois o álcool engorda quase duas vezes mais do que o açúcar. Não é à toa que até serve para movimentar automóvel. Além de abrir o apetite.
Até aqui, abordamos no máximo 40% dos gordos. O resto é gordo por problemas emocionais. É cuca mesmo.
Os médicos dizem que as pessoas engordam porque caem de boca na comida; e caem de boca na comida porque estão ansiosas, carentes ou deprimidas. Essa explicação é correta, mas insatisfatória. Não explica, por exemplo, por que certas ansiedades, carências e depressões desembocam na comilança, enquanto outras desembocam no álcool ou até na inapetência. Temos, pois, de ir mais fundo para iluminar as causas psicológicas da gordura.
Logo de saída, é bom que fique bem claro que obesidade não é felicidade. O gordo sofre demais com sua gordura. É a moça gorda que toma chá de cadeira na festa, é o rapazinho aconselhado pêlos colegas a usar sutiã, são homens e mulheres que se sentem inseguros no amor e no sexo por causa da aparência física. É gozação, chacota, zombaria por tudo quanto é lado. Não sei se nossa sociedade é mais cruel com o negro ou o homossexual do que com o gordo.
O gordo não é aquele que já nasceu com uma boca voraz, dominado por um apetite pantagruélico. Não é um tubarão ou uma piranha, sem mares e sem rios, que só vive pensando em encher a pança. Essa é uma visão superficial das coisas. Descreve o que aparece, sem
esclarecer o que não aparece; descreve os efeitos, sem dar conta das causas.
O gordo também não é, por natureza, aquele cara boa-praça, meio dessexualizado, alegre e sempre disposto a contar a última piada. Se virou pouco mais que um bonachão, é porque se viu obrigado a renunciar, com muita tristeza, à sua carreira de príncipe ou princesa, de garanhão de raça ou de tigresa. Se os caminhos do feitiço físico estão interditados, só resta, como recurso para se desviar da rota da mais negra solidão, ingressar no bom-pracismo. Se não pode inspirar paixão, que ao menos inspire afeição. Se não pode inspirar magia ou poesia, que inspire simpatia e alegria. Se não pode ter uma bela namorada, que tenha uma bela piada.
Esse processo pode se iniciar muito cedo, nos primeiros dias de vida. É óbvio que, nessa época, a criança não está preocupada com sua aparência física e nem sabe que isso existe.
Contudo, instintivamente, percebe se seus apelos são ou não correspondidos, se sua fome de correspondência está ou não sendo saciada, se, ao botar sua escola de samba na avenida ou seu bloco na rua, fez vibrar ou não as arquibancadas da Marquês de Sapucaí.
Se pressente que não, pode se constranger em voltar a desfilar, em fazer soar seu enredo, sua melodia e seu compasso. Pode até chegar a perder a esperança. Nesse caso, só resta a pança. O bonachão é aquele que não acredita mais na possibilidade de evocar paixão.
Mas chega de falar mal dos gordos. Já é hora de alguém mostrar o quanto de beleza se esconde por baixo de tanta banha. Num certo sentido, o gordo é um poeta que não conseguiu expressar toda sua poesia. É um grande amante que não encontrou correspondência. É uma grande pessoa que não conseguiu colocar para fora tudo quanto trazia dentro. Essa energia entalada, encruada, circula por dentro, freneticamente, sem encontrar escoadouro. São tantos amores que não estão podendo ser vividos, tantos sonhos que não estão podendo ser realizados, tanta beleza que não está podendo ser construída! A pessoa fica excitada, tão excitada, que acaba
perdendo a visão das infinitas nuances da sua emoção. Boa parte de si mesma perde contornos e matizes, transformando-se em difusa e indiferenciada excitação. Essa energia, para sair pela boca, não custa nada, basta um passo.
É sempre assim. Quando as emoções mais intensas, lindas e sutis não podem se realizar, ficam fissuradas, enlouquecidas, perdem sua beleza e sutileza, guardando uma tosca e selvagem intensidade. Os apetites mais intensos e refinados permanecem intensos, mas deixam de ser refinados, decaindo para os níveis mais primários. "Que me embevecer que nada, o que eu quero é comer."
É verdade que o gordo nasce de boca aberta para o mundo. Mas não nasce só de boca aberta para o mundo, nasce de corpo, peito, alma escancarados para o universo. A parcimônia e a sobriedade não são seu forte. Está possuído instintivamente por um apetite enorme. Não de comer, mas sim... de viver! Seu desejo e sua emoção estão marcados pela grandiosidade. Tudo nele está marcado pela sede de infinito. Se seu corpo é limitado, sua alma quer ocupar todos
os espaços siderais. Sua paixão arde mais quente do que o sol, sua afeição é oceânica, sua generosidade amazônica. Do mesmo modo, sua ira pode ser mais abrasadora do que as lavas de um vulcão em furiosa erupção; sua indiferença, mais gelada que um inverno polar; sua tristeza, mais desolada que as caatingas ressecadas do Nordeste.
Quem já ouviu sinfonias e sonatas de Beethoven, quem já viu quadros de Van Gogh, quem já leu versos de Garcia Lorca, quem já estudou Nietzsche, quem já assistiu a filmes de Glauber Rocha ou já chegou perto de uma escultura de Rodin, sabe exatamente do que estou falando. É um borbulhar de vida por todos os lados.
Como escoar tanta energia? Como administrar tamanhas correntes, cataratas, tempestades e cachoeiras? Como encontrar ressonância e correspondência para tanta vida?
Convivendo com pais esmagados pela miséria material ou cultural de uma sociedade repressiva?
Alguns poucos gigantes superam tudo. Já nascem irremediavelmente grandiosos. Obviamente, são poucos. Muito poucos.
O gordo é aquele que nasceu com um particular deleite pelo cósmico, pelo ilimitado, pelo substancioso, pelo tudo e pelo todos, mas que geralmente fracassa na viabilização de tão
grandioso deleite. Foi encontrando diques e barreiras por todos os lados. Como seu caudaloso fluxo de emoções não pôde se expandir, procurou o caminho das águas, driblou pedras e montanhas que se postavam no seu caminho e seguiu o sinuoso curso das possibilidades que o mundo lhe deu.
Algumas personalidades que nascem marcadas pela grandiosidade tornam-se génios, vivem uma grande vida e deixam uma grande obra. Outras desaguam em caminhos bem menos grandiosos.
Desaguam na criminalidade, na cobiça desenfreada, na sexualidade compulsiva, no delírio do poder, no álcool, nos tóxicos ou ... na comida.
O gordo é uma personalidade grandiosa que não conseguiu realizar sua grandiosidade. Alguns dos gordos podem até ser pessoas grandiosas aos olhos dos outros, mas não o são suficientemente aos seus próprios olhos. Ou realizam a grandiosidade errada.
É interessante notar que não só ingressam no comer muito, mas também no comer comidas engordativas. Nada de saladas, comidas aguadas e sem sabor. Só lhes interessa o mundo quente das elevadas calorias, onde sobram altas taxas de açúcar, mas onde quase sempre falta aquilo que eles mais querem — o afeto.


enviada por Maria Miranda






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)